Mais pintos, menos armas

Uma lei que foi aprovada no ano passado permite que a partir de agosto de 2016 pessoas com autorização para portar armas possam levar seus revólveres para dentro das universidades, dormitórios e algumas outras áreas do campus de escolas públicas e privadas no Texas.

A Universidade de Texas, em Austin, uma das cidades mais liberais do estado, virou palco para essa discussão sem fim entre o direito dos cidadãos americanos portarem armas e os riscos que os opositores sentem em estarem num ambiente com pessoas armadas. Esse debate acontece em diversos ambientes da sociedade americana mas os opositores, nesse caso, vêem ainda mais implicações negativas no meio acadêmico, que pressupõem liberdade de expressão.

Na Universidade de Texas um movimento de estudantes liderado por mulheres contra o porte de armas no campus decidiu se manifestar carregando pelo campus grandes falos de plástico. A lógica por trás? Hoje no Texas você tem direito à carregar uma arma letal dentro de uma universidade mas você é proibido de carregar objetos considerados "obscenos". Risos, né?

Reuters Staff / Reuters

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A mulherada distribuiu no primeiro dia de aula pintos gigantes de plástico e estão incentivando que todos andem com eles pendurados nas mochilas. O movimento se chama "Cocks, not glocks" (pintos, não armas) e a ideia é resistir o absurdo de forma absurda. O protesto é contundente, bem humorado e cheio de trocadilhos. Achei GE-NI-AL. Todo meu apoio para essa galera.

Reuters Staff / Reuters

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Historicamente é até interessante entender de onde veio a segunda emenda da constituição que garante o direto à porte de armas; veio da necessidade de garantir que o povo sempre teria forças para se opor à um governo repressor. Mas os tempos mudaram né? Hoje não é só com armas que o povo garante seu poder. E isso que eu nem tô falando do absurdo que uma arma é. A banalidade com a qual é tratado um objeto que com o puxar de um gatilho tira a vida de alguém retrata uma sociedade que parece não valoriza muito a vida.