Miami Art Basel 2015

Esse ano fui pela primeira vez à versão Miamense da feira de arte Suiça, a Art Basel. Esse evento que acontece sempre depois do feriado americano de Thanksgiving faz a cidade ferver de gente, de festas baphônicas e, claro, de feiras paralelas à feira de Art Basel em si. A cada ano novas feiras satélites aparecem e no ano seguinte já cobram uma pequena fortuna para as galerias que querem ter suas cabinezinhas lá dentro.

Art Basel começou na quarta-feira dia 2 de dezembro ~ pros VIPS; aquela galera que tem a bala na agulha pra comprar arte caríssima ou alguém conectado com o meio (ou alguém que conhece alguém conectado no meio). Algumas feiras paralelas fazem suas aberturas algumas noites antes de Basel, então a festança começa bem na segunda-feira. Isso porque, dependendo da feira, os eventos são regados a comidinhas e muito champanhe.

A primeira feira que fui foi uma dessas novas que estreiou esse ano, a X Contemporary. Ela montou sua tent em Wynwood, o bairro hypado e jovem de Miami, coberto de arte urbana em seus muros, galerias de arte e lojinhas bacanas. Fui antes mesmo dela abrir, pra ajudar um amigo fotógrafo que estava montando seu booth. Dias antes da feira começar, via-se artistas e grafiteiros trabalhando nas ruas até altas horas, terminando novos murais. Confesso que as galerias que estavam expondo lá não me impressionaram muito, apesar da organização e estrutura da feira serem impecáveis, mas tenho certeza de que ano que vem deve estar melhor.

Antes da abertura de Basel fui também na feira Pinta focada em arte da América do Sul, Espanha e Portugal. A feira fica num prédio enorme, que hospedou outras coleções de arte e outros eventos ligados à feira. Pinta, como era de se esperar, estava cheia de arte e visitantes brasileiros, tinha uma boa organização de cabines e galerias com uma curadoria muito bem feita.

Nas redondezas de Wynwood fui também na ArtMiami e na Context Art Miami, duas feiras irmãs que ficam grudadinhas. A Art Miami é uma feira que já cresceu bastante. Com isso, as galerias que compram cabines lá precisam desembolsar uma boa grana para estarem presentes, então a sensação que dá é que elas expõem suas obras mais caras para que sejam vendidas e o investimento inicial coberto. Então a exposição de uma galeria parece ser um pout pourri de obras que não tem nada a ver umas com as outras. Já a Context Art Miami brilhou e foi uma das minhas prediletas. Por provalvemente ter um custo mais baixo, as galerias apresentavam obras mais harmônicas, que dialogavam entre si e mostravam um estilo de curadoria. Alem disso, a própria feira parecia ter uma organização que fazia mais sentido, como galerias de uma mesma nacionalidade perto uma das outras; corredores de galerias koreanas juntas, ou galerias russas juntas davam a sensação de você estar passeando por um estilo de arte mais coeso.

Finalmente chegou o dia de visitar a grande estrela, Art Basel. E coloca grande nisso. A feira é giga,  lo-ta-da de gente e impossível de ver inteira em um dia, isto é, caso você queira absorver alguma coisa. Eu fui duas vezes ao centro de convenções onde ela acontece em Miami Beach e, mesmo assim, confesso que não consegui absorver tudo. Vi muita coisa legal e algumas não tão legais, mas é muita gente junta esbarrando em você, o que tira um pouco da minha concentração.

Por falar em esbarrar, Art Basel esse ano ainda contou com o acontecimento bizarro de uma moça ser esfaqueada dentro da feira. Eu estava lá na hora que aconteceu mas, como a feira é enorme, não vi nada. O mais curioso do fato é que ao ver a moça ser esfaqueada por uma outra mulher as pessoas que estava por perto acharam que era uma performance conceituoomm e ninguém ajudou a pobre coitada, só  tirou foto. Mas, não se preocupe, a polícia logo prendeu a malucona que estava armada com uma faca olfa e que dizem que pretendia matar mais outras duas pessoas.

Ao lado de Art Basel tinha a barraca do Design Miami, que mostra alguns dos mais prestigiados designers, marcas, galerias e escritórios do mundo. Achei algumas peças bem interessantes e outras nem tanto. Os irmãos Campana tinha um booth lá lindo com um novo trabalho inspirado em cangaceiros.

Pra finalizar, fui em duas feiras que ficam ~apenas~ na areia de Miami Beach, a Scope e Untitled. Vou te dizer que é um luxo visitar feiras na beira da água. O legal da Scope é que é uma feira na qual um mero mortal como eu consegue adquirir arte se quiser (não que eu tenha feito isso, com o dólar a 4). Tinha alguns trabalhos originais, interessantes e relativamente acessíveis. Já a Untitled, da qual eu esperava bastante coisa, tinha uma disposição ótima de booths, com bastante espaço para você transitar, mas a arte em si não impressionou. 

Demorei para me recuperar dos dias batendo pé pelas feiras e das noites de farra. É muita arte junta que sobrecarrega a mente e a andança cansa o corpo. Mas o processo é delicioso e a sensação no final é incrível. Agora que já conheço o esquema, ano que vem quero me planejar para assistir as palestras que diversas dessas feiras organizam, com acesso livre ao público. Algumas delas trazem artistas renomados para contarem dos seus processos e criações. Quem mais quer vir junto?